Em ato simbólico realizado nesta sexta-feira, 7 de agosto, Dia Nacional de Luta, no Largo Glênio Peres, no centro de Porto Alegre, a CUT-RS, centrais sindicais e movimentos sociais defenderam a vida, o emprego e o impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
As entidades manifestaram luto pelas vítimas da pandemia do coronavírus, que já provocou quase 100 mil mortes e perto de 3 milhões de infectados, segundo dados do Ministério da Saúde.
Todos os participantes estavam usando máscaras de proteção, respeitaram o distanciamento social e evitaram aglomerações, seguindo as recomendações sanitárias da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A manifestação coincidiu na capital gaúcha com o dia escolhido pelo prefeito Nelson Marchezan Jr. (PSDB) para reabrir o comércio e os shoppings, aumentando o risco de contágio do coronavírus. A cidade possui 89,22% dos leitos de UTIs ocupados e o Rio Grande do Sul atingiu 2.231 mortes e 78.837 infectados, conforme os dados oficiais.
Estamos de luto, mas também em luta
“Estamos de luto pelas mortes e isto se soma à política de entrega do Brasil aos interesses das grandes corporações internacionais e do imperialismo norte-americano. Se Trump não se reeleger nos EUA, no final do ano, Bolsonaro estará sozinho no mundo com a sua visão genocida e a sua política de morte intencional”, afirmou o presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci.
Ele lamentou as vidas perdidas durante a mais cruel pandemia pela qual o país já passou. “Estamos aqui para afirmar que a resistência contra a necropolítica de Bolsonaro deve ser feita dentro dos nossos ambientes de trabalho, clubes e igrejas. Em todos os espaços que frequentamos, temos de fazer frente ao obscurantismo deste governo”, apontou.
“Sim, estamos de luto. Mas estamos também em luta e, por isso, avisamos ao presidente que nós não sairemos das ruas, enquanto prevalecer essa política genocida”, avisou o dirigente da CUT-RS.
Segundo Amarildo, “para este governo, pouco importa o idoso, o doente, o vulnerável e o trabalhador, que precisa trabalhar com segurança e distanciamento social. Para ele, pouco importa também a economia, pois não é verdade que abrindo as portas do comércio as coisas vão voltar a funcionar. É preciso ter uma política de geração de empregos, que desonere o pequeno e médio empresário para que eles não fechem e possam manter postos de trabalho durante a pandemia”, completou.
Balões pretos pelos mortos na pandemia
Para o secretário de Organização e Política Sindical da CUT-RS, Claudir Nespolo, “nós temos o endereço de quem é responsável por essas 100 mil mortes. É aquele que falou que era uma gripezinha e que enrolou a população”, disse antes de pedir aos participantes para que soltassem os balões pretos, como forma de luto, diante do genocídio causado pelo descaso do governo Bolsonaro, que está perto de completar três meses com um general de ministro interino da Saúde.
“É muito importante que criemos políticas públicas, para que os trabalhadores do campo também possam ficar em casa, em segurança, para enfrentar esse vírus que vem assolando todo o país e o mundo inteiro. Estamos em luta, mesmo em casa, organizando a luta e os trabalhadores para enfrentarmos esse período”, destacou a dirigente do MST, Daniele Cazzarotto.
Fonte: CUT-RS








